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terça-feira, 3 de setembro de 2019

As alterações climáticas estão aquecendo a Europa


As mudanças climáticas estão aumentando o número de dias de calor extremo e diminuindo o número de dias de frio extremo na Europa, representando um risco para os habitantes nas próximas décadas, de acordo com um novo estudo.
As temperaturas na Europa atingiram níveis recordes neste verão, chegando a passar os 46,0 graus Celsius (114,8 graus Fahrenheit) no sul da França. Segundo a AGU Geophysical Research Letters o número de dias de calor extremo triplicou desde 1950 e os Verões são muito mais quentes.

Photo Pixabay/Geralt

Revelado o único método capaz de evitar uma catástrofe climática


Contrariamente o número de dias de frio extremo diminuiu para cerca de metade, tornando assim os Invernos mais quentes.
O calor extremo é perigoso porque stressa o corpo humano, levando á exaustão por calor ou insolação. Os cientistas já sabiam que a mudança climática estava aquecendo a Europa, mas o estudo incidiu principalmente nas mudanças de longo prazo e em temperaturas extremas.
Nesse novo estudo, foram usados dados recolhidos em estações meteorológicas europeias entre 1950 a 2018 e foram analisados os extremos de calor, os extremos de humidade, e os extremos de frio durante esse período.





Assim, descobriram que o número de dias de calor extremo na Europa triplicou desde 1950, enquanto o número de dias de frio extremo diminuiu em metade ou mesmo um pouco mais, dependendo da região. Os dias extremamente quentes tiveram um aumento de temperatura com uma média de 2,30 graus Celsius, enquanto os dias extremamente frios tiveram um aumento de temperatura em média 3,0 graus Celsius (5,3 graus Fahrenheit).


Photo Tiempo.com

Aquecimento global pode fazer a Corrente do Golfo parar


No entanto os registos regionais de temperatura têm valores muito diferentes, o que torna difícil comparar as temperaturas médias. Mais de 90% das estações meteorológicas estudadas mostraram que o clima estava aquecendo, uma percentagem demasiado alta para ser puramente da variabilidade climática natural, de acordo com os cientistas.
Os Verões e Invernos europeus serão tendencionalmente mais quentes nos próximos anos à medida que a mudança climática acelere, causando problemas nas cidades e pessoas que não estão preparadas para o aumento assim tão significativo das temperaturas.


Terra teve um aquecimento global há mais de 500 milhões de anos


Fonte//Scitechdaily











quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Cientistas aconselham a planear o abandono das zonas costeiras baixas


Espera-se que cerca de mil milhões de pessoas sejam forçadas a abandonar as suas casas devido a secas, inundações, incêndios e fome associados à mudança climática descontrolada nos próximos 30 anos. Esse êxodo global maciço pode ser feito de duas maneiras. ou será uma migração caótica que irá penalizar a população mais pobre, ou pode ser feito de maneira ordenada  de maneira a tornar um mundo mais justo e sustentável.


Photo PensaeSonha


A acidificação dos oceanos "pode ter consequências inimagináveis"



Num novo documento de política, publicado no dia 22 de agosto na revista Science , um trio de cientistas ambientais argumenta que a única maneira de evitar o primeiro cenário é começar a planear agora o inevitável "recuo" das cidades costeiras.
Perante o cenário do aquecimento global, do aumento do nível do mar e dos extremos climáticos que se intensificam, a questão não é se algumas comunidades vão recuar, tirando pessoas e bens das zonas de perigo, mas, onde, quando e como as retirar ", escreveram os autores do artigo.
Em vez de lidar com essas migrações forçadas numa base reativa, desastrosa  (como são feitas agora muitas evacuações de emergência), os pesquisadores propõem adotar uma abordagem "gerenciada e estratégica" para o problema, estabelecendo políticas e infra-estruturas.






As etapas para realizar essa tarefa variam desde o bom senso, por exemplo, limitando o desenvolvimento de propriedades em áreas de risco (como cidades costeiras) e, em vez disso, investindo na criação de moradias acessíveis em comunidades mais afastadas do litoral, mais seguras. Por exemplo, os autores querem construir uma infraestrutura que mantenha a herança cultural de comunidades marginalizadas que acabam tendo que deixar seus lares ancestrais.
"O recuo pode exacerbar os erros históricos se mudar ou destruir comunidades historicamente marginalizadas", escreveram os pesquisadores. "Conversas sobre quem deve pagar pela retirada certamente precisarão abordar as razões pelas quais certas comunidades se encontram em risco".
De fato, os pesquisadores escreveram que a retirada poderia ser uma oportunidade para revitalizar as comunidades e redistribuir a riqueza de uma maneira mais sustentável. Por exemplo, pode ser uma oportunidade para acabar com práticas imobiliárias que incentivem a vida em áreas de risco. Essa retirada também poderia ser uma oportunidade de subsidiar novas escolas, hospitais e moradias em regiões do interior mais seguras, em vez de fazer melhorias tardias em áreas de risco, como a construção de novos muros para proteger comunidades que já foram atingidas por tempestades severas e abandonadas antes.


Photo Smithsonian Chanel

2018, foi o ano mais quente dos oceanos


"Uma proposta para o Bangladesh sugere investir em construir uma dúzia de cidades para fornecer infra-estrutura, juntamente com oportunidades de educação e emprego, para tirar sucessivas gerações de pessoas das costas baixas", escreveram os autores. "Retirar não é um objetivo em si, mas um meio de contribuir para os objetivos sociais".
Embora a evacuação generalizada de comunidades propensas ás consequências do clima possa não ocorrer nas próximas duas décadas ou mais, a única maneira de se preparar para esse desafio global sem precedentes é começar a planear agora. Sair de casa nunca é fácil, no entanto, com bastante pesquisa, investimento e pensamento estratégico, não precisa ser um desastre.

Cientistas avisam que o oceano está ficando sem oxigênio


Costa do Atlântica dos EUA ameaçada pelo aumento do nível do mar



















sábado, 17 de agosto de 2019

Aumenta a preocupação com o degelo da Gronelandia

A Gronelândia é conhecida por ser uma terra gelada, mas no mês passado, a ilha “descongelou” e pegou fogo.
Os cientistas não esperavam ver a Gronelândia derreter nesse ritmo nos próximos 50 anos, mas na última semana de Julho, o degelo atingiu níveis que os modelos climáticos projetavam para 2070 no cenário mais pessimista.


Photo Pixabay

Aquecimento global pode fazer a Corrente do Golfo parar


Em 1º de Agosto, o manto de gelo da Gronelândia perdeu 12,5 mil milhões de toneladas de gelo, mais do que em qualquer outro dia desde que os pesquisadores começaram a registar a perda de gelo em 1950, informou o Washington Post .
O dramático derretimento sugere que o manto de gelo da Gronelândia está se aproximando de um ponto de inflexão que poderia colocá-lo em um curso irreversível para desaparecer completamente. Se isso acontecer, um aumento catastrófico do nível do mar engolirá cidades costeiras em todo o mundo.






Como o degelo continua a superar as expectativas dos cientistas, alguns temem que isso aconteça mais rapidamente do que eles imaginavam.
A temporada de derretimento do Ártico começa todo ano em Junho e termina em Agosto, com o pico de degelo em Julho. No entanto, a escala de perda de gelo na Gronelândia neste ano foi extraordinária. De 30 de Julho a 3 de Agosto, o derretimento ocorreu em 90% da superfície do continente, colocando no mar 55 mil milhões de toneladas de água em 5 dias, o suficiente para cobrir a Flórida em quase 5 centímetros de água.



Uma imagem de satélite mostra uma lagoa sobre a superfície do manto
 de gelo no noroeste da Groenlândia, em 30 de julho de 2019.

Gronelândia perdeu 217 mil milhões de toneladas de gelo no último mês



O derretimento foi idêntico ao recorde observado em 2012 , quando quase toda a camada de gelo da Gronelândia derreteu pela primeira vez na história desde que há registos. Este ano, o gelo começou a derreter ainda mais cedo do que em 2012 e três semanas antes do normal, informou a CNN .
Este derretimento extremo ocorreu durante o mês mais quente já registado, quando uma intensa onda de calor assolou a Europa e indo depois para a Gronelândia. O gelo de baixa altitude começou a derreter e formar poças através do manto de gelo, e as cores escuras dessas piscinas absorveram mais luz solar, que derreteu ainda mais a geleira em volta delas e expôs mais gelo ao ar quente.
Similarmente, o derretimento acima da média foi observado na Suíça, as geleiras perderam 800 milhões de toneladas de gelo durante as ondas de calor de Junho e Julho. O Alasca também registrou um degelo recorde em Julho.






Todo esse derretimento expõe mais permafrost, solo congelado que liberta gases de efeito estufa poderosos quando descongela. Isso está acontecendo mais rápido do que os cientistas previram. A libertação desses gases leva o planeta a aquecer ainda mais, o que acelera mais derretimento do gelo.
O mês passado foi uma anomalia para a Groenlândia, mas pode ser o novo normal até 2070 se não reduzirmos as emissões de gases do efeito estufa, segundo modelos climáticos simulados por Xavier Fettweis , pesquisador do clima na Universidade de Liège, na Bélgica.
"Até meados do século é que deveríamos ver esses níveis de derretimento, não agora", disse Ruth Mottram, cientista climática do Instituto Meteorológico Dinamarquês, ao " Inside Climate News"
O derretimento de gelo da Gronelândia já fez subir o nível do mar em mais de 0,5 polegadas desde 1972. Metade disso ocorreu apenas nos últimos oito anos, de acordo com um estudo publicado em Abril.


O gelo derrete durante uma onda de calor em Kangerlussuaq, Gronelândia em 1 de agosto de 2019.

Mudança Climática. Temos 18 meses para salvar o planeta



"Entre  1,5 e 2 graus, há um ponto de inflexão após o qual não será mais possível manter a camada de gelo da Gronelândia", disse ela à Inside Climate News .
" Não temos controlo sobre a velocidade com que a camada de gelo da Groenlândia irá perder-se”
O gelo da Groenlândia já está se aproximando desse ponto de inflexão, de acordo com um estudo publicado em maio.
Enquanto o derretimento durante os ciclos quentes costumava ser compensado pela nova formação de gelo durante os ciclos frios, os períodos quentes agora causam um colapso significativo e períodos frios simplesmente param.





O clima quente e seco que fez o gelo derreter também causou incêndios florestais na Gronelândia.
Os satélites detetaram pela primeira vez um incêndio perto da área de Sisimiut em 10 de Julho. As temperaturas na região na época aproximavam-se dos 20 graus Celsius, quando a máxima diária normal é de10 graus Celsius.
Este foi o primeiro incêndio do seu tamanho desde que outro grande na mesma área surpreendeu os cientistas em Agosto de 2017
Incêndios sem precedentes também devastaram o Ártico neste verão, libertando 50 megatoneladas de dióxido de carbono na atmosfera somente em Junho. Isso é o equivalente às emissões anuais da Suécia e mais carbono do que os incêndios do Ártico libertados durante todos os meses de Julho de 2010 a 2018 juntos, de acordo com o Copernicus Atmosphere Monitoring Service (CAMS) .
A CAMS rastreou mais de 100 incêndios, intensos e de longa duração, no Círculo Ártico durante seis semanas em Junho e Julho. Esses incêndios foram maiores e duraram mais que o normal.
Incêndios no Alasca e na Sibéria também depositaram fuligem na camada de gelo da Gronelândia, que escureceu a superfície e fez com que ela absorvesse mais calor, o que leva a um derretimento mais rápido.


Os satélites detectaram o sinal infravermelho de um incêndio florestal perto de Sisimiut, na Groenlândia, em 10 de julho de 2019.

Designers projetam um submarino para criar icbergues e voltar a congelar o Ártico


"É invulgar ver incêndios desta escala e duração em latitudes tão altas em Junho", disse Mark Parrington, especialista em incêndios florestais da CAMS, num comunicado,"mas as temperaturas no Ártico têm aumentado a uma escala muito mais rápida do que a média global, e as condições mais quentes encorajam os incêndios a crescerem e persistirem".
No outro extremo do globo, o derretimento da Antártida também está acelerando. O continente perdeu 252 mil milhões de toneladas de gelo por ano na última década. Isso é significativamente menos que a Gronelândia, que está perdendo uma média de 286 mil milhões de toneladas por ano.
Juntas, a Groenlândia e a Antártida detêm mais de 99% da água doce do mundo nas suas camadas de gelo, de acordo com o National Snow and Ice Data Center. Se ambos derretessem completamente, o estado da Flórida desapareceria.

De acordo com um mapa da National Geographic , cidades como Amsterdão na Holanda, Estocolmo na Suécia, Buenos Aires na Argentina, Dakar no Senegal, e Cancun no México (para citar apenas alguns) também desapareceriam .É difícil o manto de gelo regenerar -se.

Fonte//Businessinsider











sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Capital da Indonésia à beira do colapso


Jacarta é uma das cidades que mais afundam na Terra, especialistas em meio ambiente alertam que um terço da área poderá estar submersa até 2050 se continuar a afundar ao ritmo atual.
Décadas de esgotamento descontrolado e excessivo das reservas de água subterrânea, a subida do nível do mar e padrões climáticos cada vez mais voláteis significam que partes da capital Indonésia já começaram a desaparecer.


Photo Pixabay



As medidas ambientais existentes tiveram pouco impacto, por isso as autoridades estão tomando medidas drásticas. A Indonésia terá uma nova capital. A sua localização deverá ser anunciada em breve, de acordo com relatórios locais.
"A capital do nosso país mudar-se-á para a ilha de Bornéu", disse o líder indonésio Joko Widodo no Twitter.
Mudar o coração administrativo e político do país pode ser um ato de preservação nacional, mas soa a uma sentença de morte decretada a Jacarta, onde muitos dos 10 milhões de habitantes da cidade têm poucos meios para fugir.
"Quando as enchentes chegaram, eu tremi", disse o proprietário da barraca de comida, Rasdi, à AFP. "Quase me afoguei em 2007, todos os meus pertences foram levados pelas águas e tive que começar tudo de novo”.
Construída numa zona de terremotos, em pântanos, perto da confluência de 13 rios, as fundações da cidade foram ainda mais enfatizadas pelo desenvolvimento descontrolado, tráfego intenso e falta de planeamento urbano.






Jacarta não tem um sistema de água canalizada e tratada, mas usa a agua captada nos aquíferos do norte da cidade, que abastece a indústria local e milhões de habitantes.
Essa extração desenfreada de água subterrânea causa o aluimento de terras, o que está fazendo Jacarta afundar até 25 centímetros por ano em algumas áreas, o dobro da média global para as principais cidades costeiras.
Atualmente, algumas partes estão a cerca de quatro metros abaixo do nível do mar, mudando irrevogavelmente a paisagem e deixando milhões vulneráveis ​​aos desastres naturais.
As inundações são vulgares durante a estação chuvosa e espera-se que piore à medida que o nível do mar sobe devido ao aquecimento global.
O esqueleto parcialmente submerso de uma mesquita abandonada à beira-mar ressalta a gravidade do problema, enquanto vastas poças cicatrizam as estradas e, para alguns, o piso térreo das suas casas não é mais habitável.
A água turva e verde corre pelo chão de um prédio abandonado, enquanto pequenos barracos em palafitas se alinham na beira-mar. "Pode ver com seus próprios olhos", disse Andri, um homem de 42 anos,"quando eu era criança, costumava nadar ali", acrescentou ele. "Com o tempo, a água continuou subindo cada vez mais."


Photo Climainfo

Mesmo enquanto Widodo prossegue com o plano de uma capital do século 21 na ilha de Bornéu, as autoridades locais estão desesperadamente investigando soluções para Jacarta.
Foi aprovado um esquema para construir ilhas artificiais na baía de Jacarta, que funcionaria como um amortecedor contra o Mar de Java, bem como um enorme dique costeiro.
Mas não há garantia de que o projeto estimado em US $ 40 mil milhões, que já conta com muitos anos de atraso, resolveria os problemas da cidade.
A construção de barreiras foi tentada antes. Foi construído um muro de betão ao longo da costa no distrito de Rasdi e outros bairros de alto risco.
Mas quebraram e estão a afundar. A água passa por eles, inundando o labirinto de ruas estreitas e barracos nos bairros mais pobres da cidade.






"Construir muros não é uma solução permanente", disse Heri Andreas, cientista da Terra no Instituto de Tecnologia de Bandung. “Precisamos ir para a verdadeira solução, a gestão da água
O centro da maior economia do Sudeste Asiático tem passado por um desenvolvimento vertiginoso ao longo dos anos. Novos edifícios e arranha-céus estão comprimindo o terreno, o que agrava seu problema de afundamento.
Mas o maior culpado é a extração excessiva de água subterrânea, e a cidade não tem como atender à procura devido à falta de instalações de retenção de água ou de uma rede de tubagem abrangente.
Mas Jacarta não é o único centro urbano que está afundando.
Cidades de Veneza e Xangai a Nova Orleans e Bancoque também estão em risco, mas Jacarta pouco faz para enfrentar o problema, segundo Andreas.

Mudança Climática. Temos 18 meses para salvar o planeta




Fonte//Phys











quarta-feira, 14 de agosto de 2019

ONU lança aviso, a comida irá ficar muito cara futuramente


O fornecimento global de alimentos está à beira do desastre, de acordo com um relatório recém-publicado pelo Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudança Climática.
Mais de 100 especialistas contribuíram para o relatório, que conclui que a mudança climática já está influenciando negativamente a produção de alimentos. E o problema irá se agravar ainda mais se as temperaturas globais continuarem aumentando, embora ainda não seja tarde demais para evitar uma catástrofe total.



Photo China Daily / Reuters

Sabe o que são os alimentos geneticamente modificados?


De acordo com os autores do relatório, está ficando mais difícil produzir alimentos devido a mais secas, ondas de calor, incêndios florestais, inundações e degelo de permafrost.
Acrescente a isso as quantidades crescentes de dióxido de carbono na atmosfera, que diminuem a qualidade dos alimentos que são produzidos, e está claro que estamos indo em direção a um futuro em que há ainda menos comida, ou seja, o alimento disponível vai custar muito mais.
Por mais assustador que pareça, um dos autores principais do relatório ainda acredita que podemos evitar uma catástrofe alimentar, se estivermos dispostos a nos esforçar.
Uma das descobertas importantes do nosso trabalho é que há muitas ações que podemos tomar agora.O que algumas dessas soluções exigem é atenção, apoio financeiro, ambientes propícios”. disse Pamela McElwee em entrevista ao The New York Times .








O resumo foi divulgado na passada quinta-feira pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, um grupo internacional de cientistas reunidos pelas Nações Unidas que reúne uma ampla gama de pesquisas existentes para ajudar os governos a entender a mudança climática e tomar decisões políticas. O IPCC está escrevendo uma série de relatórios climáticos, incluindo um no ano passado sobre as consequências desastrosas da eventual subida de temperatura em apenas 1,5 graus acima dos níveis pré-industriais , bem como um relatório sobre o estado dos oceanos do mundo .


Photo Scott Olson / Getty Images

Alguns autores também sugeriram que a escassez de alimentos provavelmente afetará mais as partes mais pobres do mundo do que as mais ricas. Isso poderia aumentar um fluxo de imigração que já está redefinindo a política na América do Norte, Europa e outras partes do mundo.
No geral, o relatório disse que quanto mais tempo os políticos esperarem, mais difícil será evitar uma crise global. "Agir agora pode evitar ou reduzir riscos e perdas e gerar benefícios para a sociedade", escreveram os autores. A espera pela redução das emissões, por outro lado, corre o risco de “perda irreversível das funções e ecossistemas da terra necessários para alimentação, saúde, assentamentos habitáveis ​​e produção”.

O aquecimento global leva cada vez mais a situações climáticas extremas



Fonte//NewYorkTimes










domingo, 11 de agosto de 2019

Aquecimento global pode fazer a Corrente do Golfo parar


Um dos efeitos mais temidos do aquecimento global pode realmente acontecer. A Corrente do Golfo, que que leva calor dos trópicos à Europa e a mantém com temperaturas amenas, é mais vulnerável às mudanças do clima do que inicialmente se pensava. Um modelo climático feito por um grupo de cientistas chineses trabalhando nos EUA, levou-os a concluir que a corrente oceânica, poderá parar completamente caso o aquecimento continue. Por outro lado, essa paragem ocorreria ao longo de séculos e não em anos ou mesmo décadas.


Photo NASA

Revelado o único método capaz de evitar uma catástrofe climática



A Corrente do Golfo, essa imensa corrente oceânica é um dos principais sistemas de regulação do clima da Terra, Trata-se de uma corrente quente que desloca-se pela superfície do Atlântico tropical até ao Ártico. Ao entrar no Atlântico Norte, vai esfriando e tornando-se mais salgada (devido à evaporação da água), afundando e voltando aos trópicos de novo numa corrente fria submarina. É a dissipação do calor dessa corrente que mantém o norte da Europa com um clima relativamente tépido, mesmo estando numa latitude elevada.
Desde 1980 os cientistas têm-se mostrado preocupados com o fato de, o aquecimento global, ao derreter o gelo e a neve do Ártico, lançaria grande quantidade de água doce no oceano, diluindo o sal da corrente e impedindo que esta afundasse. O efeito imediato seria paragem da corrente e o consequente arrefecimento da Europa, que entraria numa espécie de idade do gelo. Isso já aconteceu há 8.200 anos e e colocou a Europa na “idade do gelo” durante dois séculos. Tal pode acontecer de novo de forma rápida e causar problemas sérios à civilização.







O filme “O Dia Depois de Amanhã”, de 2004, exemplifica bem o que poderia acontecer, e apesar de ser um filme de ficção, os livros de Julio Verne também o eram, relata mais ou menos de uma forma realista o que poderia acontecer se a Corrente do Golfo simplesmente parasse.
A desaceleração da Corrente do Golfo é um fato. Precisamos estar atentos e entender como essa dinâmica de desaceleração funciona porque, se essa correia transportadora de calor parasse, seria um problema. Países como os do norte da Europa ficariam com Invernos muito rígidos.
As observações feitas até agora, têm mostrado que precisamente desde 2004 a corrente oceânica desloca-se com a sua menor velocidade dos últimos mil anos, muito provavelmente por causa do aquecimento global. Alguns cientistas dizem mesmo que o colapso já começou.
Os modelos climáticos que simulam o clima da Terra no futuro, usados pelo IPCC (o painel do clima da ONU),não conseguem ser precisos e, por consequência, a paragem repentina da corrente é considerada pouco provável.


Photo Google Images

Gronelândia perdeu 217 mil milhões de toneladas de gelo no último mês


A origem do problema está no Atlântico Sul, perto do equador, onde a chamada Zona de Convergência Intertropical, recebe chuvas constantes num cinturão de tempestades onde as massas de ar aquecido dos dois hemisférios se encontram.
Os modelos do IPCC assumem que há mais água doce oriunda dessas chuvas na corrente do que há na realidade, causando nos modelos uma ilusão de estabilidade. Quanto mais água doce no trópico, menor a diferença de salinidade perto do Ártico, portanto, e portanto a corrente estaria mais estável.
Os cientistas então ajustaram um dos modelos de acordo com parâmetros de salinidade que eles consideravam mais realistas. Logo depois da correção a corrente tornou-se mais instável e vulnerável ao próprio aquecimento da água do mar, algo que está mais de acordo com as observações.
Os pesquisadores usaram o modelo ajustado para estimar o que acontece com a corrente oceânica caso o nível de CO2 na atmosfera duplique, algo que acontecerá por volta de meados do século se não forem tomadas medidas radicais de controlo das emissões






Como resultado, e nas simulações, o colapso da corrente ocorre 300 anos após a quantidade de CO2 duplicar na atmosfera, o que é uma boa notícia tendo em conta que 300 anos é muito tempo para a vida humana. No entanto muitas mudanças podem ocorrer antes de a corrente parar. Além disso, o resultado é baseado num modelo e num cenário simples de aquecimento. Não foi considerado um fator importante e recente, o degelo da Gronelândia. Ao colocar excesso de água doce no oceano no Ártico, o derretimento desse gelo, poderia agravar a situação da corrente já enfraquecida pelo aquecimento da superfície



Photo 20th Century Fox

Mudança Climática. Temos 18 meses para salvar o planeta

Um efeito esperado dessa redução na corrente, por exemplo, é a mudança nos padrões de chuva em várias regiões do planeta. Um dos lugares que seria mais afetados é o Brasil. Estudos do grupo do geólogo de Francisco Cruz, da USP, já mostraram que em alturas da redução da Corrente do Golfo, no passado, corresponderam períodos de chuvas torrenciais no Brasil, devido ao deslocamento da Zona de Convergência Intertropical para o sul.
São necessários mais estudos para medir as oscilações de velocidade da Corrente do Golfo, e assim conseguir uma visão mais correta do futuro climático do nosso planeta.

A atual mudança climática não é um fenómeno natural, segundo dois grandes estudos



O colapso da camada de gelo da Antártida pode ser evitado



Fonte//Oeco Ideegreen









segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Mudança Climática. Temos 18 meses para salvar o planeta


A Europa está queimando. Na semana passada, foram batidos todos os recordes de temperatura na Alemanha, Holanda, Bélgica, França e Reino Unido.Os edifícios públicos abriram para dar sombra ás pessoas, os comboios foram atrasados ​​para evitar danos aos carris e os hospitais foram colocados em alerta máximo do Mediterrâneo á Escandinávia. E no Reino Unido, o MetOffice revelou que os 10 anos mais quentes já registados ocorreram nos últimos 20 anos.


Estamos começando a sentir o calor. O recente relatório do Comitê sobre Mudanças Climáticas para o Reino Unido deixou claro que a Grã-Bretanha, seus habitantes, empresas e infraestruturas, não estão preparados para um aumento de temperatura de até 2 ° C. Felizmente, parece que o apoio do público está finalmente ficando mais sensibilizado para a mudança climática. 71%acreditam que a crise climática é mais importante do que o Brexit e seis em cada dez pensam que o governo não está fazendo o suficiente .
No entanto, mesmo com sinais físicos de aquecimento e maior apoio para combater as mudanças climáticas, continua a ser muito pouco. O consumo de energia no Reino Unido aumentou em 2018, e enquanto a maior parte da eletricidade foi gerada a partir de fontes renováveis, a grande maioria do consumo de energia ainda é proveniente de combustíveis fósseis.
Não combateremos as mudanças climáticas se o uso de energia continuar sem controlo. Precisamos mudar nossa relação com a energia.







Na mesma semana em que as temperaturas subiram, um artigo da BBC sugeriu que o tempo que temos para agir é ainda menor do que pensamos, apenas 18 meses . O tempo está se esgotando.
Embora seja conveniente pensar que a resposta ao combate às mudanças climáticas é produzir mais energia renovável e, eventualmente, eliminar nosso uso de combustíveis fósseis, mudar para uma economia de carbono zero exigirá tempo e dinheiro. Precisam ser tomadas decisões rapidamente sobre onde investir, onde regular e onde incentivar a mudança para as renováveis ​​e uma vida mais verde.
No entanto, enquanto isso, há algo que os governos, as empresas e os indivíduos poderiam estar fazendo para reduzir sua pegada de carbono e emissões. Reduzir a quantidade de energia desperdiçada.


Muitas empresas e consumidores ainda veem a sustentabilidade como um custo ou uma obrigação, em vez de um benefício. Na realidade, é uma oportunidade. Os custos de energia compõem uma quantidade substancial das contas de serviços públicos de uma empresa, de modo que reduzir o consumo desnecessário pode gerar gerar economia real. Cortar lixo não é bom apenas para o planeta, é bom para o consumidor de energia. A nossa pesquisa sugere que uma redução de 30% no consumo de energia normalmente equivale a um corte de 10% nos custos operacionais gerais.
Para fazer isso, no entanto, o consumo de energia precisa se tornar mais visível e muito mais transparente. Como pode reduzir o uso de energia ou começar a mudar seu relacionamento com a energia se não pensar em como ela está sendo usada? Ou sabe quanta energia você está usando, ou onde está a desperdiçando?
Ao contrário de muitas das soluções que estão sendo procuradas para combater a mudança climática, a tecnologia já existe em todos os níveis para fornecer a perceção necessária para economizar energia.
Dispositivos inteligentes ligados aos edifícios, redes de iluminação e sensores instalados em pontos-chave da estrutura de energia de um edifício podem fornecer leituras precisas e em tempo real do consumo de energia e fornecer dados de consumo, permitindo a análise de como a energia está sendo usada num horário específico andares ou quartos.





Isso combinado com sensores que podem monitorizar a ocupação dos funcionários, e o consumo de energia pode ser ampliado e reduzido conforme necessário, por exemplo, colocando um piso em um estado de baixo consumo de energia quando os funcionários saem para o almoço.
Os medidores inteligentes e os sistemas de aquecimento doméstico ligados entre si, não são novidade, mas permitem que as pessoas compreendam melhor seu consumo de energia e, se quiserem reduzi-lo, alterem o aquecimento divisão por divisão, usando um aplicativo inteligente no seu telefone. Imagine se, no futuro, os consumidores pudessem ver não apenas a energia que estão usando, mas também onde estão consumindo essa energia através desse sistema inteligente. Seria um passo simples adicionar notificações que poderiam informar pro ativamente as pessoas quando há um excesso de energia renovável disponível na rede, incentivando-as a, por exemplo, lavar a roupa ou carregar o carro quando a energia renovável estiver mais disponível.
Ter uma melhor visibilidade sobre como, quando e onde a energia está sendo usada permite que indivíduos e empresas pensem sobre seu uso de energia, identifique onde a energia pode ser desperdiçada e faça planos para reduzir ou eliminar esse desperdício.


Photo Pixabay

2018, foi o ano mais quente dos oceanos



Estas são ações que os consumidores e as empresas podem tomar, mas os governos têm um papel fundamental a desempenhar no combate ao desperdício de energia, uma ação imediata na luta contra a mudança climática.
Os legisladores podem incentivar a mudança de comportamento e a adoção de tecnologias por meio de incentivos, subsídios, doações, incentivos fiscais e, se necessário, regulamentação e legislação.
Enquanto as medidas de economia de energia se pagam, fica claro que são necessárias muito mais ações para estimular a mudança. A decisão do governo do Reino Unido de cortar os subsídios resultou numa redução drástica no número de projetos para economia de energia realizados em residências no Reino Unido num momento crítico.

O investimento em eficiência energética é a maneira mais barata de reduzir as emissões de carbono. Se vamos fazer com que os próximos 18 meses realmente sejam importantes, comece com que está em baixo. Estamos vendo o impacto que as zonas de emissões ultra-baixas nas cidades estão tendo em incentivar a adoção de veículos mais limpos e mais eficientes. Padrões mínimos de eficiência mínima para novas construções e edifícios comerciais, combinados com maiores incentivos para atualizar a eficiência de edifícios antigos e maior transparência sobre a eficiência dos edifícios e uso de energia são necessários para impulsionar a mudança.
É hora de todos, desde o humilde proprietário de uma casa de habitação até os mais altos níveis de negócios e governo, repensarem sua relação com a energia e agirem. Confiar apenas em energias renováveis ​​não será suficiente. Felizmente, enquanto só restam 18 meses para salvar o planeta, a tecnologia de que precisamos para fazer um grande começo já existe. Um forte programa de ação dos governos, juntamente com uma abordagem ativista da tecnologia inteligente, é a nossa melhor esperança para o futuro.

Geoengenharia nas mãos erradas pode iniciar uma guerra



Fonte//Forbes










sábado, 3 de agosto de 2019

A atual mudança climática não é um fenómeno natural, segundo dois grandes estudos


Dois novos estudos demonstram que os acontecimentos de arrefecimento e aquecimento climático antes da Era Industrial foram em muito menos escala do que o fenômeno global que acontece atualmente. Os trabalhos foram publicados nas revistas Nature e Nature Geoscience.
Os principais eventos de mudança climática registrados nos dois últimos milênios foram a Pequena Era do Gelo (entre os séculos XIV e XIX, no hemisfério norte) e o Período Quente Medieval (entre o século X e XIV, na Europa). Mas são localizados e pontuais em comparação com o aquecimento que estamos observando atualmente.




Photo Pixabay

Os objetivos climáticos do Acordo de Paris



Para chegar à esta conclusão, os investigadores estudaram 700 registos de temperaturas históricas, que incluem características de árvores, sedimentos, corais, depósitos em cavernas e documentos feitos por pessoas e registros de equipamentos, ficando assim com um retrato global das mudanças climáticas deste a época dos romanos.
 A conclusão principal é que a variável climática no período contemporâneo é muito diferente do que tem acontecido nos últimos 2 mil anos. O calor e frio do passado eram regionais, enquanto o que vemos agora é global”, diz o cientista atmosférico Nathan Steigernuma conferência de imprensa.







Para os que pensam que a Pequena Era do Gelo foi um evento global, uma extensa análise publicada na revista Nature não encontrou nenhuma evidência que confirme esta ideia. O que os pesquisadores encontraram foram temperaturas baixas em locais e épocas diferentes, mas mesmo assim só atingiu metade do planeta
Já no Período Quente Medieval, apenas 40% da superfície da Terra atingiu temperaturas altas.
Assim, a variação atual se destaca desses outros eventos. Este é o período mais quente dos últimos 2 mil anos, e acontece em 98% do globo.



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Podemos estar a retroceder climaticamente 50 milhões de anos



Já o estudo publicado na revista Nature Geoscience examinou as causas destes acontecimentos climáticos, e concluiu que o aquecimento e arrefecimento pré-industrial aconteceram de forma primária por influência vulcânica.
As pesquisas das duas entidades concluem que esses eventos antes da Revolução Industrial eram locais e curtos, sem produzir mudanças a nível global. A mudança climática atual, porém, está acontecendo numa escala muito maior e não pode ser explicado apenas por variáveis naturais.
As Nações Unidas acabam de publicar um relatório que alerta para um “Apartheid Climático” conforme as mudanças climáticas se intensificam.





Philip Alston, especialista em pobreza extrema e direitos humanos da ONU, explicou no Conselho de Direitos Humanos da ONU em Génova que milhões de pessoas vão passar por insegurança alimentar, migração forçada, doença e morte neste século, devido a crises causadas pelas mudanças climáticas.
Isso pode conduzir mais de 120 milhões de pessoas para a pobreza até 2030. A mudança climática ameaça desfazer os últimos 50 anos de progresso no desenvolvimento, saúde global e redução de pobreza”, diz ele.
Os maiores riscos são para as populações mais pobres dos países em desenvolvimento. Essas nações nem sequer são as mais responsáveis pela poluição por CO2, mas são as que vão sofrer mais.
As pessoas em situação de pobreza tendem a viver em áreas mais suscetíveis às mudanças climáticas e em habitações menos resistentes. São elas que perdem relativamente mais quando afetadas, e que têm menos recursos para mitigar os efeitos; e são as que recebem menos apoio de redes de segurança social ou do sistema de financiamento para prevenir ou se recuperar de catástrofes”, diz o relatório da ONU.
Eles estão mais vulneráveis aos desastres naturais que trazem doenças, destruição das plantações, alta de preço de alimentos, morte ou incapacidade.


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As alterações climáticas poderiam tornar a Sibéria mais habitável?


Isso tudo ajuda a explicar porque apenas neste século atual, pessoas de países mais pobres têm morrido em desastres numa taxa até sete vezes mais alta que cidadãos de países ricos. Este fenômeno será exacerbado conforme mais desastres naturais acontecerem.





O relatório identifica falhas das lideranças dos governos e do setor privado como fator principal por trás da falta de ação para diminuir a velocidade a que as mudanças climáticas estão acontecendo.
A solução, explica Alston, é “fazer mudanças estruturais profundas na economia mundial”, adotando uma economia sustentável, ao mesmo tempo em que se oferece uma rede de segurança para trabalhadores que perderem seus trabalhos neste meio tempo.
O relatório admite que esses são desafios enormes, mas que não há outra alternativa. “Algumas pessoas e países ficaram incrivelmente ricas a custa de emissões sem pagar pelos custos disso. Ações climáticas não devem ser vistas como um impedimento de crescimento econômico, mas como uma motivação para dissociar o crescimento econômico das emissões e extração de recursos”, diz Alston.